Histórico da Cia Antropofágica



A Antropofágica é um grupo de teatro de São Paulo criado em 2002 que tem a antropofagia como princípio motivador de seu processo sócio-artístico. Em 14 anos de trabalho coletivo contínuo destaca-se uma clara opção por pesquisar procedimentos, gêneros, autores e textos ligados à tradição das formas híbridas, muito propícias ao ideal antropófago que nos move. Composta por mais de trinta integrantes – direção, atuação, música, pesquisa, produção, registro – o grupo realiza espetáculos, intervenções artísticas, oficinas e estudos, atuando tanto em sua sede quanto em espaços culturais, escolas públicas e ruas da cidade de São Paulo.

2002/2003 - Macunaíma no País do Rei da Vela, espetáculo realizado a partir dos textos de Oswald de Andrade e de Mário de Andrade, e A Tragédia de João e Maria – Teatro da Deformação, uma versão adulta, deformada e catastrófica do conto dos irmãos Grimm, relacionado às distorções, degradações e flagelos sociais.

2004/2005 - Em 2004 inaugura o Pindorama, sua primeira sede na Rua Barra Funda, 555, onde realiza diversas atividades culturais como 50 anos da Morte Oswald de Andrade, Contação de Histórias, Dias Clowns e dá início a Oficina do Ator Antropofágico. Estreia o espetáculo Prometeu: Estudo Nº1.1 a partir de uma pesquisa sobre a estrutura dramática da tragédia e em função do estudo da obra Vigiar e Punir, de Michel Foucault. Em 2005, em virtude da falta de verba para manutenção de sua sede, passa a realizar a Oficina do Ator Antropofágico e suas demais atividades no Espaço Cultural Tendal da Lapa. Ainda em 2005, participa do Festival FRINGE em Curitiba com os espetáculos A Tragédia de João e Maria – Teatro da Deformação e Prometeu: Estudo Nº1.1.

2006 - Os Náufragos da Rua Constança: homo capitas no sapiens, espetáculo inspirado no filme O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel, e em três campos de interesse do grupo: a questão do modus vivendi burguês, a imersão no surrealismo e o teatro de Tadeusz Kantor.

2007 - Inaugura sua sede atual, o Espaço Pyndorama, e realiza temporada do espetáculo Os Náufragos da Rua Constança: homo capitas no sapiens. Cria um núcleo permanente de formação de atores, o Núcleo Py, que nesse mesmo ano realiza sua primeira peça Panorama do Fascismo.

2008 - Contemplada pela primeira vez no Programa Municipal de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo, inicia a pesquisa da Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo, que consiste no estudo dos períodos Colônia, Império e República da história brasileira. Baseado no texto Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, o Núcleo Py realiza a peça Mas afinal, o que é Liberdade?.

2009 - Estreia o espetáculo Terror e Miséria no Novo Mundo Parte I: Estação Paraíso. O Núcleo Py realiza a montagem da peça Zumbi or not Zumby com base no texto Arena Conta Zumbi de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.

2010 - Contemplada novamente pelo Fomento ao Teatro, segue com a pesquisa da Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo e realiza um ciclo de estudos teóricos e práticos sobre o teatro de Tadeusz Kantor com o professor e pesquisador Michal Kobialka e a atriz Ludmila Ryba, do Cricot 2. Constrói sua primeira Máquina de Intervenção Urbana, a Karroça Antropofágica, inspirada nos Tropeiros do Brasil Império e a partir do conceito das máquinas de Kantor. A Oficina do Ator Antropofágico passa a ser realizada também no Espaço Pyndorama e em escolas da rede pública estadual de ensino (trabalho que continua até os dias atuais). O Núcleo Py faz apresentações da peça Mas afinal, o que é Liberdade?.

2011 - Estreia e realiza temporada do espetáculo Entre a Coroa e o Vampiro - Terror e Miséria no Novo Mundo Parte II: O Império. Realiza intervenções com a Karroça Antropofágica. O Núcleo Py faz apresentações das peças Mas afinal, o que é Liberdade? e Zumbi or not Zumby. Ao final do ano é contemplada pela terceira vez pelo Fomento ao Teatro, dando continuidade a pesquisa da Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo.

2012 - Estreia o Kabaré Antropofágico, inspirado na dramaturgia de formas híbridas do teatro de revista e em referências já consolidadas do grupo como Bertolt Brecht, Maiakovski e Augusto Boal. As Máquinas de Intervenção Urbana seguiram com a Karroça Antropofágica, e com a pesquisa e criação das Máquinas de Leitura. No final desde mesmo ano estreia Terror e Miséria no Novo Mundo Parte III: Autópsia da República. Em comemoração aos 90 anos da Semana de Arte Moderna realiza a Intervenção 22 no Theatro Municipal de São Paulo.

2013 - Inicia o projeto Desterrados em Nossa Própria Terra, contemplado pelo Fomento ao teatro, que tem como eixos de pesquisa o gênero fantástico, consciência enlatada e teatro de feira. Amplia a pesquisa das Máquinas de Intervenção Urbana com a criação do Fiteiro Antropofágico e do Teatro Passeio, além de realizar novas intervenções com a Karroça Antropofágica e com as Máquinas de Leitura, que passam a ser permanentes no processo de investigação e criação da Companhia. A convite da Companhia do Latão participa do projeto Pompéia Conta Boal, no SESC Pompéia, com a Karroça Antropofágica. Publica o primeiro número da revista Bucho Ruminante edição zero. Realiza a Mostra de Repertório: Antropofágica 10 Anos, com apresentações de 8 peças da trajetória da companhia, e durante a qual a Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo foi apresentada pela primeira vez em conjunto. O Núcleo Py faz apresentações da peça Via Crucys a Brazyleira, adaptação do texto O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.

2014 - Em referência à I Feira Paulista de Opinião, dirigida por Augusto Boal em 1968, realiza no Tendal da Lapa a II Feira Paulista de Opinião ou I Feira Antropofágica de Opinião que reuniu cenas, canções e intervenções de aproximadamente 80 artistas entre eles participantes da Feira de 1968. Inspirado pelo texto de Bertolt Brecht e pelo teatro de feira, estreia o espetáculo Mahagonny, Marragoni – Suíte Antropofágica Nº1: Mutato Nomine De The Fabula Narrator. Realiza apresentações do espetáculo Macunaíma no País do Rei da Vela em escolas municipais de São Bernardo do Campo. Participa no Teatro de Arena da homenagem ao dramaturgo Chico de Assis com a montagem do texto inédito Furo no Casco, que também cumpriu temporada no Espaço Pyndorama. Publica a revista Bucho Ruminante Nº1. O Núcleo Py realiza a montagem e temporada da peça O Grande Circo da Ideologia, da Companhia do Latão.

2015 - Realiza no Memorial da América Latina a II Feira Antropofágica de Opinião, projeto contemplado pelo ProAC Festivais, com a participação de 40 grupos de teatro, além de artistas plásticos, poetas, músicos e coletivos de cinema. Contemplada em mais uma edição do Fomento ao Teatro, inicia a criação da Máquina de Processo – Almanaquy Antropofágico, tendo como pesquisa o gênero do terror e o universo dos vagabundos que resultaram nos experimentos cênicos M – Isso não é uma Peça Feminista, de Mei Hua, e Estudo para o Terror, de Rogério Guarapiran. Realiza intervenções com a Karroça Antropofágica, Fiteiro Poético, Teatro Passeio e Máquinas de Leitura em locais públicos da cidade de São Paulo. Realiza apresentações de “Zumbi or not Zumby” com o Núcleo Py. Estreia o espetáculo Vyridiana dos Desafortunados inspirado no filme Viridiana, de Luis Buñuel, e publicou a revista Bucho Ruminante Nº2. A convite do SESC Consolação participa da exposição Máquina Tadeusz Kantor e como parte da programação paralela estreia no Teatro Anchieta o espetáculo Desterrados - UR EX DES MACHINE.



Cronologia

2002

• Macunaíma no País do Rei da Vela

2003

• A Tragédia de João e Maria - Teatro da Deformação

2004

• Prometeu: Estudo nº1

2005

• Hans Staden: Um Viajante do Século XVI

2007

• Os Náufragos da Rua Constança - homo capita no sapiens

• Panorama do Fascimo

2008

• Mas Afinal, o que é a Liberdade?

• A Tragédia de João e Maria - Teatro da Deformação

2009

• Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte I: Estação Paraíso

• Zumbi or not Zumby?

2010

• Máquinas de Intervenção Urbana - Karroça Antropofágica

• Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte I: Estação Paraíso

• Zumbi or not Zumby?

• Mas Afinal, o que é a Liberdade?

2011

• Entre a Coroa e o Vampiro - Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte II: O Império

• Kabaré Antropofágico

• Máquinas de Intervenção Urbana - Karroça Antropofágica

• Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte I: Estação Paraíso

2012

• Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte III: A Autópsia da República

•Intervenção 22 - 90 Anos da Semana de Arte Moderna no Theatro Municipal

•Via Crucys à Brazyleira

•Máquinas de Intervenção Urbana - Máquinas de Leitura

•Máquina Processual- Kabaré Antropofágico

•Máquinas de Intervenção Urbana - Karroça Antropofágica

•A Tragédia de João e Maria - Teatro da Deformação

•Macunaíma no País do Rei da Vela

2013

• Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo

• Mostra de Repertório - Antropofágica 10 Anos

• Revista Bucho Ruminante nº0

• CD Antropofágica 10 Anos

• Máquinas de Intervenção Urbana - Teatro Passeio

• Máquinas de Intervenção Urbana - Fiteiro Poético

• Terror e Miséria no Novo Mundo - Parte III: A Autópsia da República

• Máquinas de Intervenção Urbana - Máquinas de Leitura

• Máquina Processual - Kabaré Antropofágico

• Máquinas de Intervenção Urbana - Karroça Antropofágica

• Mas afinal, o que é a Liberdade?

2014

• Mahagonny, Marragoni
  Suíte Antropofágica Nº1: Mutato Nomine De The Fabula Narrator

• II Feira Paulista de Opinião ou I Feira Antropofágica de Opinião

• Furo No Casco

• O Grande Circo Da Ideologia

2015

• Máquina Processual - Almanaquy Antropofágico

• II Feira Antropofágica de Opinião

• Máquina Processual - Teatro Passeio

• Máquinas de Intervenção Urbana - Fiteiro Poético

• Máquinas de Intervenção Urbana - Máquinas de Leitura

• Máquinas de Intervenção Urbana - Karroça Antropofágica

• Máquina Processual - Kabaré Antropofágico

• Experimentos Cênicos: M – Isso não é uma Peça Feminista

• Experimentos Cênicos: Estudo de Terror

• Participa da Exposição Máquina Tadeusz Kantor - Sesc Consolação

• Desterrados - Ur Ex Des Machine

• Vyridiana dos Desafortunados